"Tenho pensado que o que mais se busca é estar entre tantos, quando talvez o que se precisa esteja na única companhia que a gente não busca: a nossa própria.
Existem mais entorpecentes eletrônicos do que alucinógenos em forma de pílula. A rapidez e facilidade da comunicação é a droga de efeito rápido para nossa carência e insegurança .
Tudo isso porque parece ser insuportável conviver consigo mesmo e o número de parcerias nunca nos satisfaz.
Mas é preciso aprender a habitar com quem somos. Sós e com mais ninguém é que perco o medo das tempestades do autoconhecimento.
É quando temos um peito vazio numa rua cheia de gente ou o silêncio que fica quando o celular não faz barulho. É quando os vizinhos já não são os mesmos da infância e não vivemos mais no bairro que nos viu nascer. Nos sentimos sozinhos. Algo importante da gente vai atrofiando. "Ficar sozinho" vira um monstro escondido dentro do armário.
E se o grande segredo estiver onde menos se busca? Ainda que seja absurdo estar bem e sozinho, ao mesmo tempo!
É o medo que nos aconselha: "Vá pra rua, veja gente, conheça pessoas, vá pra balada, adicione essa pessoa.."
Antes de compartilhar o que sou com alguém, preciso saber quem eu sou depois que todos dormem. Preciso saber como sou quando não há nada além da mim. Porque tenho em mim a escuridão apesar dos dias claros. É preciso sufocar muito orgulho para adentrar quem somos quando não há internet, nem ninguém te esperando no sofá de casa.
Só posso acompanhar alguém se eu entender a coragem de perceber que a minha solidão é também minha boa companheira !"
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