terça-feira, 17 de novembro de 2015

Bailarinos sabem que o corpo é a linguagem dos Deuses e dos Demônios. É a passagem do inferno ao paraíso. É no corpo que nossas fraquezas acordam, e no corpo que o esforço esgota, é este corpo, a perfeita criação de Deus tentando entrar no ritmo das imperfeições da vida, num dueto eterno e viciante.

Através da arte, promovemos a paz e provocamos uma guerra.
Podemos falar de amor e expressar ódio.
Inventamos contos, criticamos a História.
Transmitimos alegria ou todo o sofrer de um coração.
Despertamos agonia, aguçamos vontades.
Vivemos o prazer e morremos de dor.
Temos a loucura e a disciplina.
Suamos nas roupas, sujamos os pés, lavamos a alma.
A elevação do espírito e o peso da carne.
Somos a coragem que floresce em meio dos inseguros ensaios.
É que o medo nos paralisa, mas o nosso desejo é bem maior, é como aquela música que nos faz levantar da cadeira, e ainda chamar alguém pra levantar junto.
Somos a complexidade dos sentimentos, somos a simplicidade de um gesto. Somos uma idéia, um sonho, uma realidade ou a fuga. O bem e o mal. O eixo e o desequilíbrio.Podemos ser o que verdadeiramente imaginamos.

É muito pequeno resumir a Dança como aquilo que apenas emana o bem e a harmonia. Que vida seria essa?
Não se encaixa na nossa, nada seria tão desumano.

Não ouse limitar o poder do movimento!

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