quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Eu tenho miopia.
Não tenho condição de focar em nada.
Será que meu olhar tem sido influenciado por como eu levo a vida?
Assim como o que vejo, as situações que me acontecem sempre aparecem confusas e embaçadas, não consigo foco em uma coisa só, me sinto numa estrada cheia de atalhos e retornos. Eu não enxergo nada do que está longe, então eu nunca quis ir longe mesmo, nunca sonhei muito alto, pé no chão que sou...
Não sei o que é pior, aquilo que não vejo por causa da miopia ou aquilo que não vejo porque finjo não ver.
Acredito que ter visão desfocada me ensina que ter foco é muito melhor, me obriga a prestar mais atenção, me obriga a chegar mais perto daquilo que me interessa, pois é de perto que eu vejo os detalhes.
Eu reflito sobre isso tudo e então me atualizo sobre o que sou e o que devo ser.
Ter miopia, que seja, ou hérnia na coluna, pé chato, labirintite, joelho machucado ou intolerância à lactose... Nos obriga a sermos ainda mais adaptáveis.
Lesões e limitações corporais nos impossibilitam certas coisas, mas nos ensinam paciência, saber que não somos perfeitos, que ainda pode piorar e é preciso ter humildade pra aceitar isso. 
 É também querer ficar melhor, fazer melhor, ser melhor. Superar. Ir em busca disso nos ensina a determinação.
Lesões e limitações físicas podem nos ensinar a curar de outras lesões e limitações que não devem morrer conosco: As lesões e as limitações da nossa alma.
Coloquei lentes de contato e passei a ter uma visão normal. E vi que eu continuo com minhas limitações, que ainda preciso tatear antes de dar um passo a frente, pois mesmo enxergando bem, o meu futuro não é claro. Ainda pego os atalhos e faço os retornos...E olhando bem, vejo que não é tudo tão ruim e confuso quanto parece.Talvez não seja apenas o grau das minhas lentes que precisa mudar mas também a minha capacidade de ver as coisas com "outros olhos".

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Pegue leve ou pegue outro rumo

Relações sofrem cortes imensuráveis. Fio a fio vamos diminuindo a espessura do cordão  que nos une. Ferimos e somos feridos. Mas acima de tudo é preciso saber o fundamento disso tudo. Porque quando queremos, a gente volta, a gente sara e ajuda o outro a recuperar também. Costuramos peles, sopramos a ardência da desilusão, anestesiamos a dor com o poder de um abraço. Mas quando não queremos, só resta pegar uma tesoura e terminar com o último fio. E acabar logo com isso.
Somos imensos dentro de um corpo. Diferentes em cada célula. É preciso saber pegar leve com o outro e consigo. Pegar leve nas cobranças. Pegar leve nas ofensas. Querer pegar leve... E pegar pesado na sinceridade e no respeito.
Somos conectados numa rede de relações e são estas que muitas vezes direcionam a nossa jornada. Eis a importância de saber o que quer.Porque você não vai mudar muito, nem mudar pessoas com as quais se relaciona. Mas pode mudar, em qualquer momento, o rumo da sua vida. 

Porque eu sou eu, ele é ele e você é você. Então não me surpreende que a gente se desentenda. Não me espanta discordar em mil coisas, desde que a gente concorde com apenas uma. Aquela, essencial.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O começo do fim



Conheci um outro lado meu pra entender que eu inteiro sou mais do que a metade que vivo.

Sozinhos somos mais fracos do que quando juntos,

Mas é preciso ser forte de qualquer jeito.

Percorrer ambos os lados pra aprender cada um.

Aprendi que me desfazer é me fazer de novo, só que novo.

Despenquei porque isso me fez mais humano.

Caí, junto com meus princípios, meus pudores, minhas crenças, meus valores.

E só lá no fundo vi que no fim não tem fim. Fim é igual a começo. E lá no fim a gente começa, renovando.

Viver é grande, é largo, é ainda mais depois de agora.

Quem desaba em si quase sempre se apoia na renovação, renovar a ação do seu viver. E é assim que a gente se conhece e levanta.

Despenquei,

E se dessa forma aprendo tanto e me refaço melhor,

Farei quantas vezes for preciso.