Desistir parece mesmo mais fácil do que continuar.
Abandonar o barco parece ser mais seguro quando vemos que este furou.
Mudar de casa parece mais confortável do que permanecer nesta que caiu.
Conquistar um novo amor parece mais fácil do que reconquistar o velho
com todos os seus defeitos, como se o novo fosse livre de imperfeições,
até se tornar velho em 3,2,1...
Insistir parece teimosia ou burrice.
Eu digo “parece”, porque nem tudo é o que parece.
É tudo tão descartável.
Quem disse que é preciso saltar do avião só porque houve uma turbulência?
Não ganhamos da nossa própria ansiedade, não nos contentamos em persistir.
Como se nada tivesse conserto. Como se não fosse cabível esperar nada,
nem ninguém. Como se não fosse cabível algo dar errado, como se não
houvesse maneira de tentar de novo. Ainda não compreendi se é preguiça,
falta de coragem ou desesperança.
Bom seria ter força pra permanecer
em seu rumo, mesmo nos dias cinzas, saber que tem a hora do sol. Ter
sentimentos incapazes de ir embora e poder se orgulhar disso. Alimentar
tudo o que quer que permaneça e esquecer esse troço de "Fila que anda".
Não matar as próprias vontades de fome. Usar e abusar mais de tudo o que
te faz bem e ter maturidade pra saber que nada é perfeito. Essa
fraqueza ou frieza em desistir com o bonde andando, não deveria ser
rotina.
Se decidi entrar, vou até o fim da linha. Depois de lá eu
vejo o que faço. Se você quer ver algo recheado de novidades, compre
revistas ou jornais. Não vou abrir mão fácil de tudo o que acredito.
Mudar e trocar são coisas diferentes, mudo por causa de um objetivo, não
troco o objetivo só porque algumas coisas precisarão mudar.
É que não vou deixar minha vida parecer o que ela não é.
Se a tendência agora é desapegar, eu prefiro, na maioria das vezes, andar fora de moda.